Cabo afirma que ex-chefe da Casa Civil financiou grampos ilegais e dispara: "o dono disso tudo é o governador"; veja

Da Redação - Paulo Victor Fanaia Teixeira/Wesley Santiago "Vim aqui hoje para trazer a verdade real". Foi com esta frase que o ...

Cabo Gerson

Da Redação - Paulo Victor Fanaia Teixeira/Wesley Santiago

"Vim aqui hoje para trazer a verdade real". Foi com esta frase que o cabo Gerson Corrêa iniciou a sua confissão, na madrugada deste sábado (28), durante interrogatório na 11ª Vara Criminal Militar, sobre a existência dos grampos ilegais em Mato Grosso. Ele apontou o governador Pedro Taques (PSDB) e o ex-chefe da Casa Civil, Paulo Taques, como os principais beneficiários do esquema: "Na minha convicção, o dono disso tudo é ele [Pedro Taques]", disparou o policial militar.


Leia mais:
Zaqueu diz ter "um suspeito" na 'Grampolândia' e defende conduta de corréus: "confiaria a vida"; siga


"Você começa a perceber que os interesses não eram apenas do Zaqueu , mas sim do Paulo Taques e do governador do Estado, o senhor Pedro Taques. Não tenho a menor dúvida disto. Nunca ninguém do MP ou Judiciário me pediu nada", revelou o cabo Gerson, que chorou diversas vezes durante o interrogatório e pediu desculpas à sociedade.


"O dono disso aqui não sou eu, nem o coronel Zaqueu. Os donos disso aqui são Paulo Taques e o governador Pedro Taques. Longe da Polícia Militar", disparou o cabo. Este, inclusive, foi apontado pelo réu como o motivo de ter arrolado o chefe do Executivo como testemunha.


Entre as revelações, está a confirmação de que o ex-secretário Paulo Taques teria financiado o 'Sentinela': "Fui na casa dele [Paulo Taques]. Não perguntei nada, foi no carro, peguei o dinheiro e pronto". O montante teria sido pago quando o acusado já atuava como gestor da Casa Civil.


O cabo adiantou ainda que as escutas feitas em José Patrocínio e no vereador Chico 2000 eram para "pegar crimes eleitorais dessas pessoas". Contou ainda ter grampeado a conversa entre o ex-governador Silval Barbosa e o presidente Michel Temer (MDB) para tentar acelerar a soltura da ex-primeira dama Roseli Barbosa.


Em maio de 2017 o esquema dos grampos veio à tona com reportagem publicada pelo Fantástico. O esquema foi concebido na modalidade “barriga de aluguel”, quando investigadores solicitam à Justiça acesso aos telefonemas de determinadas pessoas envolvidas em crimes e no meio dos nomes inserem contatos de não investigados.


O grupo embolsou R$ 50 mil para comprar os primeiros equipamentos para as escutas.


Outro lado


O Governo do Estado informa que o governador Pedro Taques determinou a apuração de todos os fatos relacionados às supostas escutas telefônicas clandestinas assim que a denúncia chegou ao conhecimento dele, em 2015, garantindo independência das Polícias Civil e Militar nas investigações.


O Governo do Estado ressalta ainda que o governador Pedro Taques solicitou ao Superior Tribunal de Justiça que ele próprio fosse investigado neste caso para comprovar, perante a Justiça, que não teve qualquer envolvimento nos fatos narrados por terceiros.


Já a assessoria de imprensa do ex-secretário Paulo Taques afirma que a defesa nega as acusações e que se pronunciará nos autos do processo.


Contexto


Gerson Corrêa Júnior atuava no Gaeco e possuia o ‘know how’ na operação do Sistema Guardião de Interceptação Telefônica. Foi levado em 2015 para o Núcleo da Inteligência da Polícia Militar, na Casa Militar, época dos grampos. Continuou na Casa Militar até maio de 2017, quando teve prisão preventiva decretada por ter operado o esquema de interceptações telefônicas ilegais.


Os acusados desta ação penal militar são: Zaqueu Barbosa, Evandro Lesco, Ronelson Barros, Januário Batista e Gerson Correa Junior. Os cinco respondem pelos crimes de Ação Militar Ilícita, Falsificação de Documento, Falsidade Ideológica e Prevaricação, todos previstos na Legislação Militar.


Veja os principais pontos ditos pelo cabo Gerson em seu interrogatório:


05h03 - "Fiquei muito mais pobre com a 'grampolândia'. Eu só perdi dinheiro", afirma o cabo.


04h19 - O sargento da Polícia Militar João Ricardo Soler, o coronel Ronelson Barros e o tenente-coronel Januário Batista foram inocentados pelo cabo da participação no esquema. Ele diz não entender como os nomes deles foram parar na investigação.


04h07 - O cabo Gerson, assim como em outros momentos do interrogatório, chorou ao ser parabenizado pelo juiz por ter contado quem seria o mandante dos grampos ilegais.


03h54 - Na sequência do interrogatório, Gerson volta a afirmar: "na minha convicção o dono disso aqui é ele [governador Pedro Taques]".


03h51 - Segundo o cabo, Zaqueu e o governador teriam se conhecido quando o PM foi segurança do ainda procurador Pedro Taques, na 'Operação Arca de Noé.'


03h36 - "O dono disso aqui não sou eu, nem o coronel Zaqueu. Os donos disso aqui são Paulo Taques e o governador Pedro Taques. Longe da Polícia Militar", disparou o cabo. Este, inclusive, foi apontado pelo réu como o motivo de ter arrolado o chefe do Executivo como testemunha.


03h24 - Além disto, o cabo revelou que a jornalista Laryssa Malheiros teve seu telefone incluído nos grampos a mando de Paulo Taques.


03h22 - O cabo Gerson confirma que ouviu uma conversa entre o ex-governador Silval Barbosa e o presidente Michel Temer (MDB) para tentar acelerar a soltura da ex-primeira dama Roseli Barbosa: "Foi aí que teve uma ligação do Silval com o Temer, falando sobre agilizar o HC no STJ".


Gerson ainda afirma ter levado isto para o promotor Marco Aurélio, do Grupo de Combate a Corrupção (Gaeco) e que isto teria gerado ciúme em seu superior.


02h42 - Gerson confirma que tinha a senha do e-mail de Zaqueu, mas afirma que nunca encaminhou nada. Ele seria somente utilizado para acessar decisões de Cáceres, onde os policiais interceptados eram lotados.


02h19 -  "Você começa a perceber que os interesses não eram apenas do Zaqueu , mas sim do Paulo Taques e do governador do Estado, o senhor Pedro Taques. Não tenho a menor dúvida disto. Nunca ninguém do MP ou Judiciário me pediu nada", completa o cabo.


Gerson volta a afirmar que entregou gravações na mão de Paulo Taques, dentro do Palácio Paiguás.
01h49 - O cabo Gerson acrescentou que o interesse da barriga de aluguel seria do governador Pedro Taques e do ex-chefe da Casa Civil, Paulo Taques: "O interesse das barrigas de aluguel é do Paulo Taques e do governador".


01h47 - O cabo revela que o ex-chefe da Casa Civil, Paulo Taques, foi quem pagou R$ 34 mil para financiar o 'Sentinela': "O dinheiro foi transferido da minha conta para a do Marilson, que mentiu dizendo que não paguei".


"Fui na casa dele [Paulo Taques]. Não perguntei nada, foi no carro, peguei o dinheiro e pronto", continuou o cabo. O montante teria sido pago quando Paulo já atuava como gestor da Casa Civil.
01h20 - Durante o depoimento, o cabo Gerson chorou e disse que "em respeito aos meus princípios e a minha família eu iria esclarecer isso". Adiantou ainda que as escutas feitas em José Patrocínio e no vereador Chico 2000 eram para "pegar crimes eleitorais dessas pessoas".


01h18 - Ainda conforme o cabo, as conversas eram gravas num pen drive e entregues nas mãos de Zaqueu. Antes da eleição, ele afirma ter entregado três pen drives a Zaqueu. "Eu já imaginava que alguém ia ouvir. Não sei quem, se era algum PM, Zaqueu, Pedro ou Paulo Taques".


01h17 - O cabo ainda revela que começou a se preocupar quando viu que o jornalista Muvuca estava entre os alvos dos grampos. "Lá, tomei conhecimento do pano de fundo, com informações de cada um dos alvos.


01h14 - Segundo o cabo Gerson, na semana da eleição, Zaqueu lhe apresentou uma nova "leva de números" para serem interceptados: "Para minha surpresa, quando iniciou as interceptações, ele me explicou a inclusão de novos números de pessoas ligadas a campanha política de 2014, seja do Lúdio Cabral ou do Riva".


O cabo também confirma que todos os números estavam disfarçados de apelidos. Entre os alvos estavam o vereador de Cuiabá, Chico 2000 (PR) e o jornalista José Marcondes "Muvuca", candidato ao governo à época e adversário de Pedro Taques: "Do jeito que veio, eu coloquei no papel. Nesse dia, o Zaqueu me revelou quem eram as pessoas".

Nome

Agenda,2,By Regis,7,Coberturas,89,DESTAQUE,3,NODECK,2,Noticias,1101,Social,168,Velho Oeste,1,Videos,106,VidroLider,1,
ltr
item
Acontece MT: Cabo afirma que ex-chefe da Casa Civil financiou grampos ilegais e dispara: "o dono disso tudo é o governador"; veja
Cabo afirma que ex-chefe da Casa Civil financiou grampos ilegais e dispara: "o dono disso tudo é o governador"; veja
http://www.olhardireto.com.br/juridico/imgsite/noticias/geson-editada-pb(1)(1).jpg
Acontece MT
http://www.acontecemt.com.br/2018/07/cabo-afirma-que-ex-chefe-da-casa-civil.html
http://www.acontecemt.com.br/
http://www.acontecemt.com.br/
http://www.acontecemt.com.br/2018/07/cabo-afirma-que-ex-chefe-da-casa-civil.html
true
4102166608156986089
UTF-8
Loaded All Posts Not found any posts VER TODOS Leia Mais Responder Cancelar Excluir Por HOME PÁGINAS POSTS Ver Todos RECOMENDADO PARA VOCÊ CATEGORIA ARQUIVO BUSCAR TODOS Não foi encontrado nenhuma correspondente à sua busca! Voltar ao início Domingo Segunda-feira Terça-feira Quarta-feira Quinta-feira Sexta-feira Sábado Dom Seg Ter Qua Qui Sex Sáb January February March April May June July August September October November December Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez agora mesmo 1 minuto atrás $$1$$ minutes ago 1 hour ago $$1$$ hours ago Ontem $$1$$ days ago $$1$$ weeks ago more than 5 weeks ago Followers Seguir ESTE CONTEÚDO É PREMIUM Please share to unlock Copy All Code Select All Code All codes were copied to your clipboard Can not copy the codes / texts, please press [CTRL]+[C] (or CMD+C with Mac) to copy