Confronto Direto: VLT, promessas para a saúde e críticas esquentam primeiro debate entre Mendes e Taques

OD - Érika Oliveira O OD convidou os protagonistas desta campanha para abrir o debate entre candidatos ao Governo de Mato Grosso nas elei...

VLT, promessas para a saúde e críticas esquentam primeiro debate entre Mendes e Taques

OD - Érika Oliveira

O OD convidou os protagonistas desta campanha para abrir o debate entre candidatos ao Governo de Mato Grosso nas eleições deste ano. Aliados desde 2010, Pedro Taques (PSDB) e Mauro Mendes (DEM) se tornaram verdadeira “pedra no sapato” um do outro desde que assumiram a condição de adversários políticos. Seguindo as regras da série ‘Confronto Direto’, quatro perguntas idênticas foram feitas aos dois e cada um pode questionar o outro como fechamento do debate.


Divergindo sobre praticamente todos os assuntos, os dois abordaram a novela do Veículo Leve Sobre Trilho (VLT), a crise no sistema público de saúde do Estado, a necessidade de reformas no Executivo e se ainda é possível resgatar a aliança perdida quando Mendes assinou um manifesto dizendo que não apoiaria a reeleição do tucano.


Pedro Taques


Advogado, Pedro Taques foi procurador por 15 anos, quando pediu exoneração do cargo para se tornar senador da República, em 2010. Deixou o mandato quatro anos antes do fim para concorrer ao Governo de Mato Grosso, sendo eleito em 1º turno com 57% dos votos válidos. Ingressou na política após se destacar em casos de combate à corrupção e ao crime organizado, liderando investigações que resultaram na prisão de figurões como o ex-bicheiro João Arcanjo Ribeiro.

 


Agora, Taques busca a reeleição vendo seu nome ser atrelado a crimes que lá atrás ajudou a combater, como supostos esquemas de corrupção ocorridos dentro de sua gestão e o chamado “escândalo dos grampos”, que interceptou ilegalmente políticos, jornalistas e advogados em Mato Grosso.


Mauro Mendes


Formado em engenharia elétrica, Mauro Mendes é fundador da Bimetal, empresa fabricante de torres de telecomunicações. Disputou a Prefeitura de Cuiabá em 2008, mas não conseguiu ser eleito. Disputou também a eleição para o Governo do Estado em 2010, mas novamente perdeu a disputa. Elegeu-se prefeito da Capital em 2012, em segundo turno, e deixou a Prefeitura com cerca de 80% da aprovação dos cuiabanos.


Reassumiu o comando de seus negócios há 1 ano e meio, após deixar a Prefeitura de Cuiabá, tarefa que segundo ele mesmo teria lhe custado caro. Os infortúnios que atingiram suas empresas, que estão em recuperação judicial, têm sido a principal “arma” utilizada por Taques desde que Mendes assumiu a condição de pré-candidato ao Governo de Mato Grosso.


Confira abaixo o debate proposto pelo OD aos dois candidatos:


1) A conclusão do VLT é um grande anseio da população, mas muito tempo se passou desde a Copa de 2014 e não há nenhum indicativo de solução para o problema. De maneira objetiva, o que o senhor promete fazer com a obra parada do VLT se vencer a eleição? Caso tenha uma solução, em quanto tempo estima que ela possa ser colocada em prática e de onde viriam os recursos?


Taques: Uma coisa que começa errada, não tem como terminar bem. Refazer dá muito mais trabalho. Como todos sabem, houve corrupção no VLT, desde a licitação em 2012. Todos imaginavam que tinha algo errado, e a operação Descarrilho, em 2017, mostrou o que realmente aconteceu. O VLT era para estar pronto para a Copa do Mundo em 2014. Assumimos em 2015 com este problema para resolver. Fizemos auditorias e tentamos sanear o contrato para retomar as obras. Com a operação da Polícia Federal, a corrupção do governo do MDB de Silval Barbosa foi revelado, então rompemos imediatamente o contrato com o consórcio construtor. Até agora essa briga está na Justiça, porque obviamente as empresas não querem perder dinheiro. A afirmação de que não há nenhum indicativo de solução não é verdade. Nós já estamos trabalhando para lançar uma nova licitação ainda este ano de 2018. Ou seja, estamos apontando uma solução prática para o problema. Com relação aos recursos, já existe um financiamento pré-aprovado na Caixa Econômica para o VLT. E o cidadão pode ter certeza que essa solução está sendo feita com total zelo ao dinheiro público, diferente do que foi feito no passado pelo governo do MDB de Silval Barbosa e seus aliados. Também estamos fazendo de modo a garantir segurança jurídica, com responsabilidade e transparência para que empresas sérias tenham interesse em continuar essa obra.


Mauro: Precisaremos de no máximo um ano para encontrar uma solução. Encontrar uma solução significa ver todas as alternativas existentes hoje, estudar novas alternativas, dialogar com o Ministério Público, Tribunal de Contas, com a Assembleia, com a população, para escolher a melhor solução. A partir daí, apresentá-la para a sociedade e colocar em marcha a sua execução.


2) O senhor acredita que a gestão da Saúde nos últimos anos foi satisfatória? Qual deve ser a sua prioridade em um eventual Governo, nos próximos quatro anos, para melhorar o atendimento à população?


Taques: Ainda precisamos avançar na saúde. Temos alguns fatores que contribuíram para a situação que temos hoje. A crise econômica fez muitas pessoas deixarem os planos de saúde, assim mais pessoas estão dependendo do SUS. O outro fato foi o desmantelamento do sistema de saúde em Mato Grosso. Nos últimos anos, como todo mundo sabe, não foi feita gestão de saúde, reformas dos equipamentos públicos, melhoria da gestão. Nós estamos fazendo essa gestão e posso citar algumas medidas. Fizemos a reorganização da estrutura organizacional, com a criação da área de gestão hospitalar e divisão de áreas administrativa e financeira e criação do Colegiado de Gestão Estratégica. Para o cidadão isso aparece pouco, mas é muito importante, isso pode ser perguntado para os servidores.


Outra medida foi a decisão da criação do FEF, Fundo Estadual da Saúde, que vai retomar a autonomia financeira da Secretaria de Saúde, o projeto foi enviado à Assembleia; Também estamos revitalizando os hospitais regionais; construindo o novo Cridac; reformando o Adauto Botelho; o SISREG, sistema de regulação, foi implantado em todos os municípios, e compramos 1500 computadores para modernizar a operação; fazemos o apoio financeiro a 15 consórcios de saúde nos serviços de média complexidade; criamos/credenciamos 200 novos leitos de UTI em Mato Grosso; apoiamos o custeio do Hospital São Benedito; e estamos construindo o novo Pronto Socorro de Cuiabá em parceria com a prefeitura e vamos equipá-lo. Vamos dar continuidade a essas ações, fortalecer a regionalização, terminar de revitalizar os hospitais regionais e fortalecer a gestão da SES com a valorização do servidor.


Mauro: A Saúde não foi tratada com a devida atenção. Nós vamos fazer a Saúde funcionar em Mato Grosso. E isso vai ser feito por uma série de ações. Destaco aqui algumas delas, como a criação de um grande consórcio com os 141 municípios para garantir remédios, medicamentos, insumos hospitalares para todo o Estado. Hoje, grande parte dos municípios tem uma grande dificuldade para comprar esses medicamentos e para manter a regularidade desse abastecimento, porque muitas vezes o remédio comprado em pequena escala sai muito mais caro. Com o consórcio, faremos compras em grande volume direto do fornecedor, garantindo preço mais justo e regularidade. Tendo médico e remédio, mais de 80% do problema da Saúde será resolvido. Paralelamente, iremos priorizar algumas questões estratégicas como terminar e aparelhar o Novo Pronto-Socorro de Cuiabá; retomar a obra do Hospital Universitário, que está paralisado; melhorar a infraestrutura dos hospitais regionais e colocar em dia os pagamentos aos municípios na área da Saúde.


3) O candidato Mauro Mendes tem criticado o atual Governo pela ausência de uma reforma administrativa. Pedro Taques, por sua vez, tem elencado ações que, em sua visão, reformaram a máquina pública, mas admite que mais ajustes devem ser feitos. Levando em conta que os dois defendem mudanças, qual o modelo defendido por cada um? O que dá para ser enxugado e quanto Mato Grosso pode economizar sem prejudicar os serviços públicos?


Taques: Nossa administração não fez somente uma reforma administrativa, fez várias. Logo no primeiro dia do mandato, assinei dois decretos importantes: um que suspendeu todos os contratos administrativos firmados pelo Estado para a realização de auditorias e o outro onde determinei o cancelamento de empenhos e de despesas ilegais, não autorizadas e ilícitas. Quando mandamos a primeira reforma para a Assembleia, lá em 2015, já pedíamos o enxugamento dos gastos nas secretarias, tanto é que algumas delas se transformaram em gabinetes, com estrutura reduzida. A repactuação dos contratos e a redução com os gastos em cada secretaria nos fez economizar R$ 1 bilhão com despesas de custeio da máquina pública em 2015, 2016 e 2017, como combustíveis, serviços gráficos e a própria manutenção de rodovias. Foi também por causa das reformas administrativas que fizemos que Mato Grosso tem hoje o maior índice de ocupação em cargos de comissão por servidores concursados: 73% dos cargos comissionados do Governo passaram a ser ocupados por servidores de carreira. São 18% a menos de cargos exclusivamente comissionados no Governo.


Para o segundo mandato, seguindo com a responsabilidade com a qual sempre tratamos a questão dos gastos públicos, organizamos junto à equipe econômica a chamada PEC do Teto de Gastos para garantir que o Estado siga economizando e evitar o aumento de gastos acima da inflação, além implantar cortes de despesas. Dessa forma, o Governo deve economizar cerca de R$ 50 milhões por mês. A PEC foi aprovada pelo Legislativo e já está em execução, congelando os valores dos duodécimos. O Plano de Recuperação Fiscal instituído pela PEC, com prazo de cinco anos, de 2018 a 2022, prevê a reforma da Previdência, a lei da Eficiência dos Gastos, nova reforma administrativa, a revisão das leis que vinculam recursos a Fundos e dos incentivos fiscais, que já vem sendo realizada pela nossa administração. Essas são as medidas que já tomamos e que está preparando Mato Grosso para seguir em frente, desenvolvendo.


Mauro: A reforma administrativa significará o enxugamento da máquina, reduzir o tamanho do Estado para baixar o custo do gasto interno. É preciso cortar gastos desnecessários e que não causem impacto para a boa prestação de serviços à população. Só com essa receita de equilibrar receita e despesa será possível reduzir a dívida do Estado e fazer sobrar dinheiro para investimentos nas áreas mais essenciais.


4) Até pouco tempo atrás os senhores eram aliados políticos e assim o foram por anos. Os motivos que provocaram o afastamento já foram expostos pelos dois lados recentemente, mas quais são as características positivas que os senhores enxergam um no outro e que os fizeram ser parceiros por tanto tempo? Essa ruptura é irreversível?


Taques: Sempre fui parceiro, mas do povo de Cuiabá, de Várzea Grande e do povo de Mato Grosso. Por isso é que iniciamos a construção do Novo Hospital e Pronto Socorro de Cuiabá, que terá mais de 300 leitos e já está 80% concluída. Enquanto o candidato era prefeito, essa foi a minha parceria: com o povo de Cuiabá. Foi por isso também que resolvemos ajudar mensalmente o custeio do Hospital São Benedito, duplicar a saída para Chapada dos Guimarães e refazer com responsabilidade as obras da Copa deixadas pela administração passada. Fui parceiro, sim, e serei sempre parceiro do povo.


Mauro: O Taques representou para mim e para muitos uma esperança de uma administração moderna, conectada com os anseios da população e com entrega de resultados. Mas foi uma grande decepção para mim e para a grande maioria do povo de Mato Grosso, que também deixou de apoia-lo. O nosso distanciamento se deu da mesma forma como se deu os compromissos dele com as promessas de campanha. Ele entregou muito pouco resultado para a população de Mato Grosso. O Taques não apresenta nenhum perfil para exercer cargo de Executivo. Foi até um bom senador. Mas lamentavelmente não demonstrou nenhuma aptidão, nem experiência e nem resultado como ocupante de um cargo no Executivo.


Perguntas diretas entre os candidatos 


Mauro Mendes pergunta para Pedro Taques: qual o seu planejamento para a área de Cultura em Mato Grosso?


Resposta: Nossa administração, apesar das dificuldades, se preocupou em realizar políticas públicas que ultrapassem os limites de uma única gestão de Governo, definindo prazos e recursos até o ano de 2026. Isso foi possível por meio da revisão e reestruturação do Plano Estadual da Cultura, do Sistema Estadual de Cultura, do Fundo Estadual de Política Cultural e do Conselho Estadual de Cultura. Lançamos também editais do Circula Mato Grosso cujos investimentos foram de mais de R$ 2,7 milhões, com 51 projetos contemplados. Foram mais de 500 ações que atenderam aproximadamente 86 mil pessoas em 56 municípios do Estado. Trouxemos também duas edições da Bienal das Artes de São Paulo, investimos R$ 5 milhões no setor de audiovisual e criamos a MT Escola de Teatro.


Para os próximos quatro anos, planejamos dar continuidade a importantes iniciativas que tivemos neste primeiro mandato. Vamos ampliar os Pontos de Cultura, o Vem Pra Arena e a MT Escola de Teatro. Operacionalizar o funcionamento do Centro de Referência em Economia Criativa, realizar o Salão Jovem Arte e implantar laboratório de conservação, restauro e digitalização de bens culturais móveis para preservar nosso Patrimônio Histórico e Cultural. Também vamos fortalecer festivais de teatro, música, cinema e dança e lançar editais de fomento cultural para prefeituras, além de editais de seleção pública de projetos culturais.


Pedro Taques pergunta para Mauro Mendes: Conhece a Caravana da Transformação? Pretende manter esse que é um dos programas de maior sucesso do governo Pedro Taques?


Resposta: Vamos manter e ampliar todos os serviços prestados pela Caravana. Mas faremos melhor. Com o mesmo recurso gasto hoje, faremos muito mais cirurgias, não só de visão, mas de outros problemas graves que afligem a população matogrossense. O problema da caravana é que muito dinheiro é gasto com fanfarra, com politicagem, com publicidade para favorecer a atual gestão. E esse dinheiro mal gasto não é uma opinião minha, é um fato. O próprio MPF, uma instituição respeitada da qual o governador fez parte, formulou parecer recentemente dizendo que a Caravana está sendo usada para promoção pessoal do governador. Precisamos otimizar os recursos da Saúde, fazer a Saúde funcionar, garantir médico e remédio nas unidades e regularizar os repasses aos municípios. Vamos investir o dinheiro com a saúde em benefício do cidadão, não com promoção pessoal.

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Confronto Direto: VLT, promessas para a saúde e críticas esquentam primeiro debate entre Mendes e Taques
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