“Era apaixonado pela Polícia Militar”, diz coronel que investigou morte de tenente

OD - Patrícia Neves e Wesley Santiago/ Da Reportagem Local - Vinicius Mendes Cinco testemunhas são ouvidas na tarde desta quarta-feira (03),...

“Era apaixonado pela Polícia Militar”, diz coronel que investigou morte de tenente

OD - Patrícia Neves e Wesley Santiago/ Da Reportagem Local - Vinicius Mendes

Cinco testemunhas são ouvidas na tarde desta quarta-feira (03), em audiência sobre a morte do tenente do Batalhão de Operações Especiais (Bope), Carlos Scheifer. Foram denunciados: cabo da Polícia Militar Lucélio Gomes Jacinto; 3º sargento Joailton Lopes de Amorim e o soldado Werney Cavalcante. Os três foram presos há cerca de 15 dias por determinação da 11ª Vara Militar. O policial foi executado com um tiro de fuzil no peito em maio de 2017, durante uma simulação de confronto após um assalto a banco na região de União do Norte, a 700 km de Cuiabá.


A primeira testemunha do caso trata-se de Alex Vicentim. Aos juízes militares, ele afirmou que ouviu Jacinto afirmar que o ‘tenente [referindo-se a Scheifer] era muito legalista’. A frase teria sido proferida depois de sua equipe ser acionada para ir até a residência onde o assaltante de bancos (Marconi Souza Santos) havia sido morto. Porém, Vicentino retificou o depoimento e disse que ouviu um dos réus dizerem que "o comando era muito legalista".


A segunda pessoa a depor, sargento Antônio João da Silva Ribeiro, disse que foi informado sobre o confronto de União do Norte e que o tenente Scheifer havia sido baleado. Ele seguiu até Matupá, para saber o que estava acontecendo e, quando tentou conversar com os três acusados, eles se mostraram nervosos e não houve a aproximação.



Além disto, a testemunha percebeu também que o trio estava sozinho em uma sala do hospital. O sargento se recorda que um dos três acusados chorava bastante, mas não soube precisar qual deles.


O segundo tenente Herbe Rodrigues da Silva contou que quando chegou em Matupá, encontrou dois suspeitos sendo rendidos e também uma arma, que foi repassada para Scheifer. Logo depois, foi para a cidade confecionar o boletim de ocorrência.


Por volta das 19 horas, o segundo tenente contou que ouviu pelo rádio sobre um policial baleado. Rapidamente, ele decidiu seguir até o hospital. Lá, os réus contaram que o tenente se levantou do local onde estava e, neste momento, teria sido atingido. A vítima chegou ao hospital já pálida e quase sem vida.


Herbe lembrou ainda que achou estranho o fato dos acusados não falarem que realizaram disparos de arma de fogo no confronto. "Seria o normal, até pra fazer uma cobertura de fogo para retirar o ferido do local, para não correr o risco de outro ser baleado”.


"Quando eu vi o colete dele, o disparo estava em ângulo, foi pego de baixo para cima, o colete estava perfurado dessa forma, vimos na funerária. Pelo ângulo, se percebia que não poderia ser muito distante", completou o segundo tenente, que também achou estranho o fato de que os PMs ficaram 40 minutos abaixados sem fazer nada, até que o tenente levantou, foi atingido e seus companheiros não esboçaram nenhuma reação.

O segundo tenente ainda pontuou que "quando eu cheguei na funerária e vi o colete, tinha que montar um quebra-cabeça, até para não cometer erros, porque o boletim foi emitido com a versão deles, até sair o laudo balístico era essa a versão. Conversei com o coronel e levantamos a possibilidade de que poderia ter ocorrido fogo amigo".


Ainda durante seu extenso depoimento, o segundo tenente revelou que conversou com Scheifer sobre a morte de  Marconi Souza Santos. Ele teria dito que Jacinto estaria aos fundos da residência, onde há um terreno vazio e que um deles tentou fugir pelo muro, portava arma de fogo e o policial teria atirado. "Não fez reclamações sobre a operação".


A informação vai contra o que há na denúncia, que aponta que houve uma briga entre Scheifer e Jacinto. 

Ele afirma ainda que Marcone foi morto do lado de fora, nos fundos da casa e a arma foi encontrada dentro do terreno da residência, perto do muro. Marcone pulou esse muro e morreu do outro lado.


Foi Heber quem encontrou a arma dentro da casa e entregou pro Scheifer.


O quarto militar a ser ouvido trata-se do tenente-coronel Cláudio Fernando Carneiro, responsável pelos inquéritos que apuraram a morte do Marcone e a do Scheifer.


Ele conta que trabalha há 20 anos na Polícia, que não tem a preparação técnica que o Bope tem, mas sua experiência fez notar que havia algo errado. "Jamais um policial seria alvejado e morto sem que houvesse um confronto, alguma reação, algo diferente deveria ter acontecido ali".


Ele prossegue dizendo sobre a primeira testemunha de hoje. "Vicentim me disse que, em dado momento, logo após a morte do marcone, eles foram pro quartel, Vicentim foi lá fora e ouviu o Jacinto falar: esse tenente é muito legalista.

 
"Eu acredito que falaram isso porque o tenente não teria aceitado a forma como se deu a morte do Marcone. Falo isso com base na minha experiência e no depoimento do Vicentim. Também estranhei o fato de, no hospital, eles terem ido para uma sala, e barraram a aproximação de outro policial". 

E continua: "o laudo veio apenas para confirmar o que eu já acreditava, que o Scheifer não teria sido morto por um possível suspeito".



Para o coronel, ele não seria negligente com a segurança dele. "Tinha acabado de sair do curso de forças especiais, um policial do Bope que passa por um treinamento desses não faria isso".


"Eu não conheci o Scheifer, mas fiquei com vontade de conhecê-lo depois de fazer o inquérito, porque por onde ele passou, os cursos que fez, foi com excelência, seria um dos grandes oficiais da polícia, era apaixonado pela Polícia Militar". A família do policial morto acompanha emocionada o depoimento.

No depoimento, o coronel reitera a fala da primeira testemunha {Vicentim} de que os envolvidos disseram: “este tenente é muito legalista”.


Ele conta que depois que houve o tiro Scheifer caiu ao chão e ficou agonizando, gemendo, não conseguia falar. "Não há indícios que eles teriam esperado pra dar socorro, ou talvez para pensar no que fariam, assim q ele foi ferido teriam agido para socorrer", asseverou.


O juiz, nesse momento, frisa que apenas Jacinto foi denunciado por homicídio.


A quinta e última testemuna trata-se do tenente Jonas Puziol, ele trabalhou em uma das equipes que atuou nas buscas aos criminosos.  Ele levou a equipe de Scheifer não conversava com os outros militares  e ficou sabendo depois, pelos outros, das circunstâncias da morte.


Disse que foi o Scheifer quem deu a ordem para que deixassem apenas eles ali, levassem a viatura do Bope pra mais longe, na tentativa de simular q o bope teria ido embora do local, caso os suspeitos estivessem na mata.


Denúncia


Na denúncia do Ministério Público Estadual consta que o crime teria sido cometido para evitar que a vítima adotasse medidas que pudessem responsabilizá-los por desvio de conduta em uma ação que resultou na morte de Marconi.
O tenente foi morto com um tiro de fuzil disparado à curta distância. Ainda conforme o MP, o disparo teria sido efetuado por Lucélio - que nega a versão apontada pelo MP.


Familiares do tenente acompanham a audiência, mas evitaram falar com a imprensa pouco antes do início das oitivas.

Prisões


Quase dois anos após a morte do policial, os três denunciados foram presos. No último dia 16 de março, o juiz Marcos Faleiros determinou as prisões considerando a garantia da ordem pública, a conveniência da instrução criminal e periculosidade dos indiciados.


Atualizada às 15h22, 15h54, 16h12 e às 16h20 e 19h10


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