MT vai continuar distribuindo cloroquina, mas alerta que remédio só será entregue com prescrição médica


O governador Mauro Mendes (DEM) e o secretário de Saúde de Mato Grosso, Gilberto Figueiredo, afirmaram nesta segunda-feira (20) que o Governo do Estado seguirá a orientação do Ministério da Saúde que recomenda o tratamento precoce com uso de hidroxicloroquina para pacientes infectados com Covid-19, mesmo após a recomendação da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) de abandonar com urgência este protocolo.

“Todos esses medicamentos só serão entregues se houver prescrição médica dos profissionais de saúde. O governo encontrou muita dificuldade, mas conseguimos comprar nas ultimas semana o suficiente para usar por 60 dias na Arena [no Centro de Triagem] e aos municípios que requisitaram. Alguns municípios não requisitaram porque já conseguiram comprar e já estão adotando este protocolo, com dexametasona, azitromicina, ivermectina, o zinco e também com a cloroquina”, disse o governador, durante a abertura do Centro de Triagem Covid-19, que foi instalado na Arena Pantanal, em Cuiabá.

Na semana passada, a SBI afirmou que o Ministério da Saúde, municípios e estados devem reavaliar as orientações que indiquem a droga, o que evitaria gastar "dinheiro público em tratamentos que são comprovadamente ineficazes".

Segundo a entidade, a verba pública pode ser melhor gasta com drogas comprovadamente eficazes e que estão em falta, como anestésicos para intubação, bloqueadores neuromusculares, em oxímetros e em testes PCR.

Defensores da droga, entre eles o presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido), insistem que o medicamento deve ser usado mesmo que não haja comprovação científica. E, apesar das evidências contrárias, o Ministério do Saúde - a pedido de Bolsonaro - mudou o protocolo e passou a orientar que a cloroquina seja prescrita mesmo para casos leves da Covid-19.

Mato Grosso também mudou seu protocolo recentemente, conforme Mauro Mendes, para estar “harmonizado” com o que defende o Ministério da Saúde. De acordo com o governador de Mato Grosso, a partir de agora a recomendação é para que as pessoas busquem as unidades de saúde a qualquer sinal da doença, ainda que os sintomas estejam leves.

Neste domingo (19), a Associação Médica Brasileira criticou a politização do assunto, mas concordou que cabe ao médico prescrever ou não qualquer fármaco, mesmo que não haja comprovação de sua eficácia, para que seja preservada a “autonomia” do profissional de saúde.

“A responsabilidade de fazer a prescrição não é do Governo. Se o médico entender que deve ser administrada a cloroquina, o governo vai disponibilizar. É o Ministério da Saúde quem vai ceder esse remédio, nós estamos aguardando chegar”, disse Mendes.


“Nenhum cidadão vai receber medicamento que não seja prescrito e que ele não concorde com sua administração. Então, ele vai ter que assinar um termo de compromisso, de responsabilidade, aceitando a medicação prescrita pelo médico”, acrescentou o secretário.

O Centro de Triagem entrará em funcionamento na Arena Pantanal na quinta-feira (23), a partir das 6h. O atendimento só será realizado mediante retirada de senha. No local, serão atendidas as pessoas com sintomas leves do coronavírus.

Recomendação da SBI

A SBI baseou sua recomendação em dois estudos padrão-ouro, publicados na última quinta-feira (16), que mostraram que a hidroxicloroquina usada em pacientes em início de Covid-19 também não tem eficácia contra a doença.

O maior deles, multicêntrico e foi feito com 491 pessoas de diversos estados nos EUA e Canadá, foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Minnesota e publicado na revista Annals of Internal Medicine.

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