Prefeita acusa Furnas de usar pandemia para aterrorizar moradores e comerciantes do Lago do Manso


A prefeita Thlema de Oliveira (PSDB), da cidade de Chapada dos Guimarães (distante 65km de Cuiabá), emitiu um ofício e encaminhou para Furnas Centrais Elétricas S/N, dizendo que a empresa nacional está aproveitando o período de pandemia para aterrorizar os moradores da comunidade de Paraíso do Manso para tentar uma desapropriação. O pedido da Furnas é que empresas e famílias que estejam morando ou alojadas em 290 metros ao redor do Lago do Manso sejam retiradas. 

Thelma indicou diretamente o ofício ao presidente da Furnas, Luiz Carlos Chiochi, dizendo que a desapropriação em período de pandemia amedronta quem mora na região. 

"O pior, é que no auge da pandemia da Covid-19, aproveitando-se das limitações higiênicas e sanitárias que impedem aglomerações de pessoas em reuniões e eventos, ingressam com dezenas de ações judiciais para tomar as áreas e demolir edificações que já estão consolidadas há mais de 20 anos", escreveu Thelma.

Antes disso, a prefeita ainda comunicou que Furnas, ao criar o Lago do Manso, criou diversos problemas sociais, com a criação de inúmeras comunidades sem qualquer tipo de infraestrutura basica, deixando única e exclusivamente para a prefeitura o ônus do custeio dos serviços essenciais.

A gestora argumenta ainda que Furnas foi omissa, já que segundo ela, por mais de 20 anos, deixou de delimitar a cota maximimorum do reservatório do Lago de Manso e, por esse motivo, é que a população chegou a levantar edificações dentro da cota de desapropriação. Para exemplificar, a prefeita cita o Malai Manso Resort, que segundo ela, a construção teve ampla divulgação pela mídia em nível mundial, sem qualquer objeção da empresa.

“A grande maioria dessas edificações não foram realizadas as escondidas, os condomínios e empreendimentos que ali estão passaram pelo crivo da Prefeitura e tiveram licenciamento aprovado pela Sema [Secretaria de Estado de Meio Ambiente], sem qualquer contestação por parte de Furnas”, cita trecho do documento.

Por fim, a prefeita garante que não vai medir esforços para ajudar a população do entorno do Lago do Manso, em medidas cabíveis judiciais, para que eles continuem na área. 

Com isso, visando promover medidas jurídicas e administrativas, a prefeita solicitou, em caráter de urgência, que a empresa Furnas Centrais Elétricas S/A apresente cópias dos documentos pertinentes ao licenciamento ambiental da Usina de Manso; do documento que delimitou cota máxima, cota máxima maximimorum e cota de desapropriação do reservatório; do plano anual de peixamento de 2016 a 2020; bem como de notas fiscais da aquisição de peixes alevinos ou adultos para repovoamento do reservatório, de 2016 a 2020.

Além disso, Thelma solicita informações a respeito do monitoramento das ocupações do entorno do lago; o limite máximo de enchimento do reservatório; bem como o agendamento de uma reunião com a diretoria da Furnas.

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