Ao lado de pecuaristas e de ministro, Mendes garante que não irá multar donos de áreas queimadas

Foto: Christiano Antonucci - Secom MT

Mesmo assumindo que o Governo não dispõe de capacidade operacional para detectar todos os eventuais responsáveis pelas queimadas ilegais em Mato Grosso, o governador Mauro Mendes (DEM) garantiu que não irá multar os proprietários das áreas atingidas pelo fogo que já devastou milhares de hectares de terras no Estado. A fala ocorreu ao lado do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, de produtores rurais e do presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato), Normando Corral, após sobrevoo da área devastada pelo incêndio que atinge há quase um mês o Pantanal mato-grossense.

“Muitos se perguntam, por quê queima? São muitos motivos, desde processos que podem acontecer por acidente, como ontem por exemplo em que caiu um cabo de alta tensão da rede elétrica e deu início a uma combustão de grandes proporções, minhoqueiros, incidentes domésticos, reservas indígenas e temos aí a maior seca dos últimos 30 anos. Então, temos o clima, esses fatores adversos que criam todas essas condições que estamos vendo”, justificou o governador, durante coletiva de imprensa na última terça-feira (18).

“Nós já conversamos com alguns produtores, hoje a Secretaria de Meio Ambiente tem tecnologia suficiente para identificar minuto a minuto o que acontece em Mato Grosso. Nós estamos recuperando essas imagens que podem nos mostrar como o fogo começou e onde começou. E essa investigação poderá nos dizer se foi criminoso, se foi acidental... Mas, não iremos penalizar ninguém indevidamente, porque às vezes é alguém passando na estrada que joga um cigarro e como é que vou responsabilizar o pecuarista dono da área? Infelizmente nossa tecnologia ainda não pega placa de carro, mas se tivesse faríamos. Nossa missão é penalizar o verdadeiro culpado”, acrescentou Mauro Mendes.

De acordo com os dados mais recentes levantados pelo Instituto Centro de Vida (ICV), já são 2.578 focos de calor somente nos primeiros 13 dias de agosto no bioma pantaneiro. Esse número representa um aumento 53% em relação ao contabilizado em todo mês de agosto de 2019, quando foram registrados 1.690 focos de calor. Neste período, 1.317 focos (51%) ocorreram na porção mato-grossense do Pantanal.

Em entrevista à Folha de S. Paulo, a gerente de Pesquisa e Meio Ambiente do Sesc Pantanal, Cristina Cuiabália, que é responsável pela Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Sesc Pantanal, disse que as queimadas nesta região em sua maioria são provocadas pela ação humana.

“O fogo é natural quando ocorre no tempo e na circunstância natural —a partir de um raio, por exemplo. Mas o raio incide, incendeia, chove e apaga. Numa circunstância de extrema seca, todos esses incêndios ao nosso redor não tiveram origem espontânea, natural. Pode ter sido, aparentemente, uma ação inofensiva de limpeza de quintal, de roça, mas tomou uma proporção muito danosa”, explicou.

“Está claro para mim, para nossos produtores, que precisamos sim melhorar o arcabouço jurídico para que possamos introduzir novas técnicas de controle, de manejo, para evitar que esse grande potencial calorífico volte a se estabelecer. Estamos atentos à isso, conversamos disso com o ministro e vamos trabalhar para melhorar essa realidade legal”, completou o governador.

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