CERVEJEIROS ILUMINATI: Empresário de MT está envolvido em escândalo nacional de racismo e ódio; veja prints

Tudo começou com ataques a uma nova empresa, a cervejaria gaúcha Implicantes, que é fundada e gerenciada por negros

Conversas do grupo de whatsapp vazaram e mostram ataques contra negros e mulheres que atuam no ramo.

O sócio da Kessbier, de Nova Mutum (264 km da Capital), Guilherme Jorge Giorgi, está entre os nomes envolvidos em escândalo nacional após comentários racistas e misóginos serem feitos contra concorrentes negros e do sexo feminino, no grupo de WhatsApp “Cervejeiros Iluminati”. Cerca de 200 pessoas fazem parte do grupo, entre empresários, advogados, mestres cervejeiros e ativos no meio.
Tudo começou com ataques a uma nova empresa, a cervejaria gaúcha Implicantes, que é fundada e gerenciada por negros. O empresário de Mato Grosso criticou a postura do governo federal em conceder financiamento para a Implicantes.
“O Mapa [Ministério da Agricultura] autoriza uma cervejaria negra? Não tem que ser branca, facilmente lavável, inox, etc?”, escreveu Guilherme.
RepórterMT
Empresários foram atacados por serem negros.
As mensagens trocadas fazem piada de que o “amigo negro, da cervejaria negra  só faz stout", um tipo de cerveja escura, feita com malte torrado.
A sommelier de cerveja Sara Araújo também foi atacada em conversa, definida como feminista de forma negativa.
“Mandei essa mina se f* na primeira vez que a vi”, disse um membro.
“Ela [Sara] deve transar com lésbicas negras. Se f*”, escreveu outro homem.
No entanto, os ataques não ficaram apenas contra Sara e partiram para mulheres que atuam no ramo. Os homens se referem às profissionais do meio como "bando de arruaceiras de suvaco cabeludo”.
“Eu acho que as cervejarias feministas deveriam primeiro aprender a falar lager corretamente, antes de fazer patrulha sexista”, cutucou um participante.
Membros do grupo ainda fizeram acusações de apropriação cultural europeia, citando que os europeus e brancos são os responsáveis pela produção da cerveja desde sempre.
Depois de partes da conversa de WhatsApp vazarem, um professor questionou se os membros queriam ser presos.
“Tá todo mundo aqui no grupo pronto para ir em cana? Ninguém solta a mão de ninguém”, disparou.
Segundo a Escola Superior de Cerveja e Malte (ESCM), o profissional foi afastado enquanto o caso é analisado.
A Abracerva (Associação Brasileira da Cerveja Artesanal) repudiou o episódio e os responsáveis devem sofrer sanções do código de ética do sindicato.
Vale ressaltar que racismo é considerado crime de ódio, passível de prisão, de acordo com a lei federal n° 7.716.





Outro lado
Procurado, o empresário Guilherme Jorge informou que estava na estrada e que dentro de algumas horas se posicionaria sobre o caso. A reportagem ainda não obteve resposta e o espaço está aberto para manifestação. No entanto, em entrevista para Folha de São Paulo, Guilherme pontuou que foi imaturo e em um momento infeliz. “Foi uma expressão imatura de minha parte, em um momento muito, muito infeliz. No entanto, a frase dita estava dentro de um contexto de discussão maior e não considero que tenha sido racista”, disse Giorgi à reportagem.

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