Fogo já consumiu 5% de todo o Pantanal em MT na pior seca dos últimos 30 anos

Foto: Rogério Florentino Pereira

Pouco mais da metade da área devastada pelo fogo no Pantanal está em território mato-grossense. Na última terça-feira (18), acompanhado do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, o governador Mauro Mendes (DEM) sobrevoou a região, que segue queimando. A previsão é que, com o avanço da estiagem, a situação seja ainda pior em setembro.

“Já estamos desde março trabalhando para evitar as queimadas e os desmatamentos ilegais, mas é uma área extremamente gigante e de difícil acesso. 5% de toda a área do nosso Pantanal foi afetada até o momento, segundo estimativa do Corpo de Bombeiros. 73% dos pontos focais identificados pelos satélites já foram contidos. Estamos dando uma atenção especial aos santuários ecológicos que praticamente 98% deles seguem protegidos. Mas ainda temos focos residuais, alguns de grande magnitude, então o trabalho continua” disse o governador, após o sobrevoo.

Levantamento realizado pelo Instituto Centro de Vida (ICV) aponta que, somente nos primeiros 13 dias de agosto, 1.317 focos (51%) ocorreram na porção mato-grossense do bioma e outros 1.261 focos (49%) na porção do bioma em Mato Grosso do Sul. Ao todo, se considerarmos os dois estados, o Pantanal já perdeu 10,3% de sua cobertura vegetal.

O bioma Pantanal possui cerca de 15 milhões de hectares de extensão territorial, sendo 10 milhões localizados em Mato Grosso. Deste total, de acordo com o Ibama, do início de 2020 até a semana passada, o fogo já havia destruído 1,55 milhão de hectares, área equivalente a dez municípios de São Paulo.

Segundo especialistas, ainda é cedo para avaliar a dimensão do estrago causado pelo fogo, principalmente porque a expectativa é de que no mês de setembro a seca castigue ainda mais a região.

Embora assuma que o Governo não dispõe de capacidade operacional para detectar todos os eventuais responsáveis pelas queimadas ilegais, o governador Mauro Mendes garantiu que o Estado irá responsabilizar duramente quem, por má-fé ou conscientemente causou estes incêndios. Mas, ponderou que os proprietários das áreas afetadas não vão pagar multas - caso não seja provado que o fogo foi provocado por eles.

“Muitos se perguntam, por quê queima? São muitos motivos, desde processos que podem acontecer por acidente, como ontem por exemplo em que caiu um cabo de alta tensão da rede elétrica e deu início a uma combustão de grandes proporções, minhoqueiros, incidentes domésticos, reservas indígenas e temos aí a maior seca dos últimos 30 anos. Então, temos o clima, esses fatores adversos que criam todas essas condições que estamos vendo”, ponderou Mauro Mendes.

A área sobrevoada por Mendes e Salles está localizada em Poconé, onde foi deflagrada a Operação Pantanal 2 - realizada pelo Centro Integrado Multiagências de Coordenação Operacional Nacional (Ciman), Batalhão de Emergências Ambientais do Corpo de Bombeiros Militar do Mato Grosso, Marinha do Brasil, Força Aérea Brasileira, Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul, Secretaria de Estado de Meio Ambiente, UFMT e Polo Socioambiental Sesc Pantanal.

A base da operação está instalada no Parque Sesc Baía das Pedras, unidade do Sesc Pantanal. Mais de 100 pessoas compõem a operação que já utilizou mais de 2 milhões de litros d’água em 10 dias, entre aeronaves e caminhões pipas.

De acordo com o mapeamento realizado por satélites, atualmente grande parte dos pontos de queimadas está concentrada na região de Poconé, Barão de Melgaço e uma área em Porto Jofre, na fronteira dos dois estados.

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