Sobrevivente de ação do Bope que matou seis revela plano para roubar R$ 500 mil de político


O confronto entre policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) com criminosos, no dia 29 de julho, que resultou em seis mortos, na região de chácaras do bairro Jardim Itamaraty, próximo ao condomínio Belvedere, em Cuiaba, aconteceu após o grupo receber a informação de que na localidade um político teria R$ 500 mil, joias e ouro. Ele seria o alvo da quadrilha.

Essas informações constam de relato de um dos dois sobreviventes do crime, identificado como Geovane Ferreira Sodré, conhecido como gordinho. No dia da ação ele estava armado com um revólver calibre 38 e conseguiu fugir pulando cercas de arame e correndo pelo matagal. 

Esse suposto dinheiro seria fruto de corrupção, segundo o sobrevivente da ação. Quem passou a informação para a quadrilha teria sido o segurança do político, que também faz segurança da chácara. Todo o grupo se reuniu em dois carros, um Uno e um Corolla blindado e seguiu na madrugada para o local indicado. O roubo aconteceria próximo das seis horas. 

Segundo o depoente, em relato feito à Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o roubo era para acontecer no início de julho, mas naquele dia teria apenas R$ 150 mil. Então eles esperaram uma informação de valor maior e por isso mudaram a data do crime. 

A intenção dos bandidos era pegar o político quando ele chegasse até a chácara, por volta de 06h. Lá estariam apenas um segurança e um caseiro. Eles pegariam entre R$ 400 mil e R$ 500 mil, além de pedras preciosas, ouro e joias. 

Ao delegado Olimpio da Cunha Fernandes, Gordinho ainda disse que não conhecia todos os envolvidos. Eles saíram de frente do Ginásio Verdinho, no CPA I e por volta das 05h encontraram o tal segurança da chácara e de lá seguiram até o Belvedere. Passando pelo condomínio, eles viraram para uma estrada vicinal e lá eles foram recebidos a balas.

O carro do segurança, um Fox, passou direto e os outros dois (Uno e Corolla) foi crivado de tiros pelos agentes do Bope. Segundo Gordinho, não houve sinal de parada ou perseguição. Eles apenas foram seguidos a tiros. 

O primeiro a ser morto foi o motorista do Corolla, identificado como Willian Diego. Depois Gabriel foi o segundo a ser morto. Ao perceber o tiroteio ele abriu a porta e logo fugiu, rastejando, junto com outro sobrevivente. Ele foi ferido, no joelho, no rosto e nas costas. Ficou escondido em uma chácara, que fica próxima a um córrego e mesmo de longe, ouvia os disparos. 

Ele disse que não conhecia todos e por conta disso apenas aceitou a "fita" porque seria uma boa grana para cada um. Ele também disse que não conhece os mortos em confronto com Bope em uma outra oportunidade no bairro Altos da Serra. 

O depoimento, o caso e toda situação serão ivestigados pela DHPP. Na ação, foram apreendidas seis armas, sendo três pistolas e três revólveres. No depoimento, o sobrevivente não soube falar se o político era vereador ou deputado. Tudo isso será levantado pelos policiais.

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