Advogado de PM morto em confronto com Bope rebate secretário e pedirá reconstituição dos fatos


 

O advogado Alaertt Rodrigues, que representa a família do PM Oacy da Silva Taques Neto, que estava no grupo criminoso que trocou tiros com o Batalhão de Operações Especiais (Bope) em interceptação a um roubo que aconteceria no bairro Jardim Itamaraty, fundos do Condomínio Belvedere, em Cuiabá, no dia 29 de julho, rebateu as declarações do secretário de Segurança Pública de Mato Grosso, Alexandre Bustamante, que reagiu com ironia ao ser questionado sobre a possibilidade de o caso ter sido na verdade uma execução. Ele ainda disse que pedirá a reconstituição dos fatos e que o caso só está no começo.



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“Acho que o secretário não conhece o Regulamento Disciplinar da Polícia Militar de Mato Grosso, que é bem claro ao dizer que os excessos são reprováveis e passíveis de punição disciplinar. Não estamos pontuando se está certo ou errado o que iriam fazer. Temos que saber se a conduta dos policiais, em antecipar uma execução sumária, não caracteriza crime militar por excesso”, disse o advogado ao Olhar Direto.
 
Alaertt ainda pontuou que irá pedir uma reconstituição da cena do crime e perícia do veículo, para saber se houve disparo de dentro para fora. “Se for constatado que não saiu nenhum disparo de dentro para fora, iremos representar os policiais criminalmente e na Corregedoria por excesso”.
 
“O inquérito é para saber se houve o excesso. A PM não foi constituída para matar, em que pese que todos estavam com armamento. Se for uma reação a uma agressão injusta, está justificado. Mas se for comprovado que não houve ação por parte de quem estava dentro do veículo, tomaremos as medidas para que este caso fique de exemplo”, completou.
 
O defensor ainda comentou que nada justifica uma execução antecipada. Além disto, acrescenta que quando o secretário fala sobre o piquenique, tem que se atentar que existem punições disciplinares por excesso.
“Hoje poderiam estar todos presos. Ao contrário, estão todos mortos. O Estado determina prisão, condenação, cumprimento de pena e sua ressocialização. A morte é só em exceção, em caso de guerra declarada. Fora isso, somente em legítima defesa”, finalizou.
 
Linha dura
 
O secretário de Segurança Pública de Mato Grosso, Alexandre Bustamante, reagiu com ironia ao ser questionado sobre a possibilidade da morte de seis criminosos, em confronto com o Batalhão de Operações Especiais (Bope). “Precisa nem explicar o que estavam fazendo todos juntos armados, em um carro blindado. Deviam estar indo para algum piquenique, né?”. O alvo da quadrilha seria a casa de um político. O fato aconteceu próximo ao condomínio Belvedere. 
 
Segundo Bustamante, tudo está em fase de investigação e todos os órgãos estão acompanhando de forma séria. Segundo ele, a realidade é que o advogado está fazendo as alegações que são pertinentes a ele e a Justiça julgará o que é correto. Ele ainda declarou confiar plenamente na competência dos profissionais.
 
“Ali não tinha nenhuma criança. Precisa nem explicar o que estavam fazendo todos juntos armados, em um carro blindado, deviam estar indo para algum piquenique, né? O pessoal do Bope vai se defender e explicar o que aconteceu”, finalizou o secretário sobre o assunto.
 
Mortos
 
Conforme o Olhar Direto já havia adiantado, o policial militar Oacy da Silva Taques e Leonardo Vinícius de Moraes Alves, filho de um sargento da PM estão entre os mortos no confronto. Também morreram Gabriel de Paula Bueno, Jhon Dewyd Bonifácio de Lima, André Felipe de Oliveira Silva e William Diego Ribeiro Morais.
 
De acordo com a Polícia Militar, os seis homens estavam em dois carros (Corolla blindado e Uno) e atiraram contra a viatura do Bope durante uma perseguição.
 
Ao Olhar Direto, o  tenente-coronel Ronaldo Roque da Silva, comandante do Bope, disse que os bandidos estavam sendo monitorados. No local onde os criminosos foram mortos, os PMs encontraram três revólveres e a mesma quantidade de pistolas.
 
No boletim, registrado na central de flagrantes da Polícia Civil, o sargento da PM, pai de um dos homens mortos, explicou que guardou a arma em seu quarto, por volta das 22h de ontem e que às 07h de hoje percebeu que a pistola não estava mais no local e nem o filho havia sido localizado.
 
A Polícia Militar informa que a Corregedoria Geral já instaurou Inquérito Polícia Militar (IPM) para apurar a conduta dos policiais e as circunstâncias do confronto. O procedimento está em tramitação.

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