Da camiseta 'Lula Livre' ao partido dos filhos de Bolsonaro: evento lotado lança Emanuelzinho como 'candidato da modernidade'


 

“Eu quero Várzea Grande grande, espero um novo caminho / É tempo de modernidade, é Emanuelzinho”. Os versos do jingle foram repetidos incontáveis vezes na noite da última quarta-feira (14), no evento de lançamento do deputado federal Emanuelzinho (PTB) à Prefeitura de Várzea Grande. No galpão lotado, localizado no Jardim Paula I, o candidato e seus aliados não citaram os adversários na disputa, mas em todos os cantos e falas o recado era dado: a coligação se apresentava como a ‘novidade’ e o que iria libertar a cidade industrial de quem a governa há muito tempo.


Por volta das 18h30 o salão ainda estava vazio. Os mais ansiosos poderiam se preocupar ao prever cadeiras vazias e cara de fim de festa, mas em pouco tempo o cenário mudou. O espaço ficou lotado de pessoas com suas bandeiras (vermelhas, azuis, amarelas) e o distanciamento social já não era possível. Máscaras faciais, no entanto, eram obrigatórias, e durante todo o tempo colaboradoras passavam distribuindo álcool em gel para os presentes.


Unindo dois candidatos ao Senado no mesmo palanque, e na plateia petistas – com suas camisetas onde se lia o brado “Lula Livre” – e republicanos (partido dos filhos de Bolsonaro), Emanuelzinho chegou de mãos dadas com a mãe, por volta das 20 horas. A noiva, Layla Teixeira, sentou-se ao lado dele e foi apresentada como futura primeira-dama da cidade. 


No dispositivo estavam, da esquerda para a direita – ironicamente – o senador e candidato ao senado Carlos Fávaro (PSD), a primeira-dama por Cuiabá e mãe de Emanuelzinho, Márcia Pinheiro (PTB), o próprio candidato, sua noiva, o presidente municipal do PTB e presidente da Câmara de Vereadores de Cuiabá Misael Galvão (que foi embora logo após discursar), o candidato a vice-prefeito Wiltinho, acompanhado da esposa, a deputada federal Rosa Neide (PT), e o candidato ao Senado Valdir Barranco (PT), também acompanhado da esposa.


O primeiro a falar foi Misael. Em cerca de cinco minutos, deixou o recado afirmando que “quem ficou com dor de cotovelo” com a eleição de Emanuelzinho para deputado federal, acreditou que ele não faria um bom trabalho, mas ele mostrou o contrário.


Logo depois foi a vez de Rosa Neide, seguida de Valdir Barranco. Os dois petistas comentaram o fato de estarem no mesmo palanque que Carlos Fávaro, mas somente a deputada federal pediu votos para Barranco. O próprio candidato mesmo, só falou em “14”. Sobre a aliança com o PTB, reiteraram que Emanuelzinho sempre votou à favor do povo enquanto esteve no Congresso Nacional.


A entrada de Fávaro foi mais aclamada, com gritos e um trecho de seu jingle tocando. O discurso, mais longo que os anteriores, também foi mais acalorado. Dos sete minutos, quase quatro foram falando sobre seus feitos no Senado e pedindo votos para si mesmo. Sua fala foi seguida da do candidato a vice, Wiltinho, que também aproveitou para mandar recado aos adversário, dizendo que naquele evento ninguém tinha ido “obrigado”.


Com ares de candidata, Márcia Pinheiro falou por doze minutos sobre a história de sua família em Várzea Grande, sobre porque acreditava que seu filho era o melhor candidato e ainda fez promessas, como a criação da Secretaria da Mulher de Várzea Grande, e de um programa para crianças espelhado no ‘Cuiabaninhos’.


Antes que Emanuelzinho fizesse seu discurso, o mestre de cerimônias Dino Ports voltou a fazer a narração do ‘gol’ de Emanuelzinho, assim como na convenção. A forma inovadora de anunciar a ‘estrela’ da noite fez tanto sucesso da primeira vez, que teve que ser realizada de novo.


Para começar, ele ‘escalou’ o time do PTB. A velocidade da narração só ficou prejudicada, no início, porque o responsável pelos slides não tinha tanta agilidade para acompanhar Dino. Em seguida, a narração foi do lance em que Emanuelzinho driblou Kalil Baracat (MDB) e Flávio Frical (PSB), deixando o primeiro ‘na saudade’ e o segundo ‘no chão’. O gol foi comemorado com uma salva de fogos.


O candidato falou por quase vinte minutos. Começou dizendo que “fizeram de tudo” para que ele desistisse, mas que a cidade industrial precisa de “sangue novo”. Endossando o argumento de seu jingle, mandou recados sem especificar o endereço, mas falando sobre quem todos ali conheciam. “Várzea Grande precisa de surpresa” e “Não temos o direito de decepcionar VG mais uma vez” foram algumas das frases.


Se há algumas semanas a primeira-dama Márcia Pinheiro havia afirmado que não podia “tirar o ar” que o marido Emanuel respirava e, por isso, não iria se opor à sua candidatura, Emanuelzinho cravou, em seu discurso, o destino de família que vem desde seu avô: “Me falaram: você está doido? Ser prefeito é ter muitos problemas... Mas o que eu vou fazer se nasci pra isso?”, disparou, arrancando palmas e gritos da plateia diversificada. 



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