FRAUDE EM CONTRATOS: PF vasculha empresa em Cuiabá, IFMT e prefeitura no interior; empresário é preso


 

Mandados de busca e apreensão foram cumpridos na manhã desta quarta-feira e apura desvio de dinheiro em contratos da empresa com IFMT e prefeitura


REPORTERMT

A Polícia Federal deflagrou a Operação Circumitus, na madrugada desta quarta-feira (21), com alvos na Capital e em Campo Novo do Parecis (396 km da Capital). 

Mandados de busca e apreensão foram cumpridos na empresa Protege, no bairro Jardim Califórnia, em Cuiabá, na casa do dono da empresa e na prefeitura e no Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) de Campo Novo do Parecis.  

A ação visa desarticular esquema criminoso com indicativos de fraudes e desvio de recursos públicos no instituto nas áreas da educação e infraestrutura. O montante dos recursos envolvidos é de aproximadamente R$ 4,8 milhões.

O proprietário da Protege foi preso e encaminhado para sede PF, pois durante o cumprimento de mandado em sua casa foi encontrada uma arma de fogo sem registro. 

A operação apura desvios de recursos públicos em contratos com a prefeitura de Campo Novo do Parecis e com o IFMT, referentes à merenda escolar.  Os trabalhos foram acompanhados por funcionários da Controladoria Geral da União.   

Conforme apurou o , a empresa não tem estrutura para atender o contrato, que é milionário. Além disso, durante o cumprimento do mandado, os policiais federais encontraram novos documentos, de outros contratos irregulares.

Merenda nas férias

As investigações tiveram início a partir de trabalhos internos da CGU que identificaram pagamentos de notas fiscais de possível fornecimento de gêneros alimentícios no mês de janeiro de 2020 para alimentação escolar, sendo que neste período os alunos estavam em período de férias escolares. 

No decorrer das investigações foi possível constatar que os referidos gêneros alimentícios não foram entregues pelas empresas contratadas, porém foram pagos integralmente. Somente nesta ocasião foram desviados cerca de R$ 127 mil.

Diante dos fatos, a CGU iniciou trabalho de auditoria em outros pagamentos e identificou indícios de irregularidade também em um contrato de manutenção preventiva da infraestrutura do campus.

Outros elementos informativos evidenciaram as referidas irregularidades procedimentais em relação a contratos para obras de engenharia. Servidores públicos estariam exercendo pressão sobre responsáveis pela fiscalização de contratos para liquidação e pagamento de notas fiscais, muitas vezes sem que se verificassem a execução completa do respectivo serviço ou fornecimento de material.

A operação tem por objetivo subsidiar trabalhos de investigação relacionados às fraudes na execução de programas do Governo Federal, com vistas a apurar a responsabilidade das pessoas físicas e jurídicas envolvidas.

Dentre as irregularidades investigadas, cabe destacar, indícios de fraude na entrega de gêneros alimentícios da alimentação escolar, pagamento de notas fiscais em duplicidade, indícios de fraude na execução de manutenção preventiva da infraestrutura do campus, dispensas ilegais de licitações, dentre outras.

A partir dos elementos de prova colhidos foram demonstrados indícios do cometimento dos delitos de peculato, corrupção ativa e passiva, dispensa ilegal de licitação, fraude em licitação mediante entrega de mercadoria diversa e/ou alterando a quantidade, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Diligências

A Operação Circumitus consiste no cumprimento de 12 mandados de busca e apreensão em residências, sedes de empresas e órgão público, sendo no município de Cuiabá (5) e Campo Novo do Parecis (7). Além disso, a justiça decretou o sequestro de valores de dois investigados. 

O trabalho conta com a participação de 44 policiais federais e com três servidores da CGU.

*Conforme o dicionário latim, a palavra Circumitus significa “desvio”, “dar a volta”, “seguir outro caminho”.

Atualizada às 8h20








Postagem Anterior Próxima Postagem