Mendes compara preço da ivermectina e não vê motivo para MP se desculpar com Possas de Carvalho


 



O governador Mauro Mendes (DEM) rebateu a tese do prefeito Emanuel Pinheiro (MDB), de que o Ministério Público teria agido com ‘dois pesos e duas medidas’ em relação aos secretários de saúde do Estado e do município, quando o promotor Célio Fúrio pediu desculpas a Gilberto Figueiredo. Segundo o governador, o caso do Estado é ‘totalmente diferente’. “Olha o preço da ivermectina, olha o preço que eles pagaram”, afirmou.


O caso de Gilberto Figueiredo, segundo o próprio Ministério Público, foi um erro. O promotor, da 35ª Promotoria de Justiça do Núcleo de Defesa do Patrimônio Público e da Probidade Administrativa, havia instaurado inquérito civil para apurar possíveis irregularidades na aquisição de ventiladores pulmonares, pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT), através de dispensa de licitação, pois o secretário haveria sonegado informações e deixado de encaminhar documentos sobre o caso.



Na quinta-feira (15), no entanto, Célio encaminhou ao secretário de Estado de Saúde um pedido de desculpas por ter afirmado em uma portaria do Ministério Público que o secretário sonegou informações e deixou de encaminhar documentos. Na noite do mesmo dia, o prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), afirmou que espera a mesma atitude com o seu ex-secretário de Saúde de Cuiabá, Antônio Possas de Carvalho, que está sendo investigado por suposto sobrepreço na compra de ivermectina para o kit-Covid.


“No nosso caso foi um equívoco realmente cometido pelo Ministério Público. As informações estavam lá, tinha evidência, e-mail passado, registro, tudo isso, e o que o Ministério Público fez, de maneira muito honrosa e louvável, foi reconhecer esse erro e pedir desculpas”, rebateu Mauro nesta sexta-feira (16).


“O que levou realmente à abertura [do inquérito] foi ele ter percebido ou ter achado que a secretaria estava sonegando informações diante de uma eventual irregularidade. E muito pelo contrário, a Secretaria tinha encaminhado todos os documentos que comprovam de maneira incontestável que nenhuma irregularidade foi cometida. Não tinham acusado o recebimento, quando eles perceberam foi um equívoco interno, porque estava na caixa de e-mail, porque lá não estava funcionando fisicamente, então os protocolos são eletrônicos, e eles reconheceram esse erro e vão dar o devido andamento na situação”, completou.

O governador ainda afirmou que, no caso da Prefeitura, não houve erro do MP. “Isso está cabalmente demonstrado no processo. Por isso que foi uma decisão tomada pelo Ministério Público e pela justiça, o caso deles é totalmente diferente do nosso”.

Emanuel, na noite de quinta-feira (15), chamou a atitude do promotor de ‘avanço institucional’, mas cobrou equidade. “ Se ele fez isso em relação ao secretário de estado Gilberto Figueiredo, ele estará pronto para fazer em relação ao secretário da capital e em qualquer secretário de Mato Grosso", disse Emanuel.

A Prefeitura de Cuiabá, através de seus advogados, ainda tenta derrubar a operação que investiga superfaturamento na compra de ivermectina. Um dia após a ação policial, autorizada pela magistrada Ana Cristina Mendes, o advogado Francisco Faiad ingressou com uma ação para que a juíza pudesse rever o processo, tendo em vista que a compra foi totalmente comprovada que não existe ilegalidade. 

O pedido de Faiad foi negado e o secretário Possas de Carvalho continua afastado das funções e foi exonerado do cargo, mesmo com Emanuel creditando total confiança na carreira ilibada do ex-secretário. 


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