Pesquisa da UFMT aponta que uso excessivo do Instagram aumenta insatisfação corporal



Pesquisa da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em parceria com o Centro de Estudos da Família e do Indivíduo (CEFI), aponta que o uso excessivo do Instagram aumenta a insatisfação corporal do indivíduo. A pesquisa foi desenvolvida pelos professores Renan Monteiro e Tatiana Medeiros Costa Monteiro, do CEFI, e pelos alunos Andressa Cristina de Barros Cassaro, Marcela Eduarda Bezerra de Lima, Nathalya Karolline Vasconcelos de Souza, Thatielly Miranda Santos Ribeiro e Thallys Pereira Arantes.



O estudo aponta evidências empíricas que relacionam o tempo gasto nessa rede social com a depressão, ansiedade e preocupação excessiva com a aparência física, reduzindo os níveis de saúde mental. “Mesmo que a ocultação das curtidas represente um passo importante para melhorar a saúde mental do usuário, o constante uso do Instagram e a exposição à imagens idealizadas pode aumentar a insatisfação corporal, impactando negativamente a saúde mental”, pontua a pesquisa.


Com população de 212 milhões, no Brasil, 30% das pessoas tem um perfil ativo no Instagram, passando em uma média 1h32 no aplicativo de fotos, quase metade do tempo total gasto nas redes sociais (3h34). O país até a data da publicação da pesquisa não tinha medidas válidas para mensurar o vício.


“Contar com uma medida adequada é uma ferramenta para os profissionais de saúde mental rastrearem o uso excessivo e implementarem estratégias para reduzi-lo, promovendo maior bem-estar”, explica Renan Monteiro.


Para o estudo foi utilizada a Escala Bergen de Adição ao Instagram (EBAI), uma adaptação da Bergen Addiction Facebook Scale (BFAS), medida amplamente usada internacionalmente para quantificar o vício no Facebook. É baseada em uma teoria que sustenta que há seis aspectos centrais que caracterizam o vício: a saliência, quando o uso domina o pensamento e o comportamento; a modificação do humor; a tolerância; o afastamento social; conflito em relações interpessoais e em outras atividades e a recaída, o indivíduo volta a usar após um período de abstinência.


Considerando os aspectos centrais, pesquisadores da Universidade de Bergen (Noruega), elaboraram 3 itens para cobrir cada um dos seis elementos da adição, resultando em um conjunto inicial de dezoito itens. Utilizando procedimentos estatísticos, os autores selecionaram um item para representar cada elemento central da adição, resultando na versão de seis itens que tem sido adaptada para avaliar o vício global em redes sociais.


“Os resultados mostram que o vício em Instagram está diretamente relacionado com níveis maiores de estresse, depressão e ansiedade, o que sugere que o uso intenso pode trazer prejuízos à saúde mental. É latente a necessidade de incentivar um uso responsável das redes sociais”, alerta o docente.



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