Rede elétrica é principal causadora dos incêndios em Cuiabá, avalia bombeiro




Nas últimas semanas, dois grandes incêndios chocaram a população cuiabana. Diversas lojas foram destruídas pelo fogo e tiveram prejuízos financeiros. O tenente Bruno Vilas Boas, do Corpo de Bombeiros, que atua na sessão de fiscalização da Diretoria Contra Incêndio e Pânico (DCIP), avalia que a rede elétrica é a principal causadora dos episódios com fogo na região metropolitana.


“Ela [a rede] acaba sendo a principal vilã, porque não fica muito à vista na edificação. Por este motivo, não é fácil de visualizar. E também depende muito da consciência do proprietário. Acontece muito de a edificação ser construída e serem feitas as instalações elétricas prevendo uma capacidade de equipamentos. Conforme vai passando o tempo, ele [proprietário] compra mais um ar-condicionado, um aparelho elétrico, vai sobrecarregando. Conforme ele vai colocando aparelhos elétricos, tem que redimensionar essa rede, porque ela foi prevista para um tipo de carga. Ele não vai fazendo as adequações elétricas, até acontecer um curto-circuito e iniciar um incêndio. O grande vilão é esse, a principal causa de incêndio é a questão da parte elétrica”, disse em entrevista ao Olhar Direto.

O tenente, que também é analista de projetos, conta que atualmente o efetivo é suficiente para atuar na fiscalização. A Diretoria Contra Incêndio e Pânico (DCIP) conta com aproximadamente 40 militares e há também profissionais especializados nos comandos regionais da Capital e Várzea Grande.

O Corpo de Bombeiros emite dois tipos de Alvará de Segurança Contra Incêndio e Pânico. “Um deles é a simplificado, que é aplicado para edificações que tem baixo potencial de risco, que não tem área grande. Por exemplo, um escritório de 200 metros quadrados. Esses casos são feitos de forma simples. Ele [o proprietário] faz uma declaração com a gente atestando que vai realizar as instalações preventivas dos equipamentos adequados”, pontua.

As edificações que apresentam um maior risco exigem duas etapas. “A primeira é a aprovação de um projeto, que deve ser confeccionado por um profissional habilitado. Ele [o proprietário] apresenta o projeto para a gente, esse projeto passa por análise do Corpo de Bombeiros até a aprovação. Após aprovado, vem a execução deste projeto, a implementação dele e tem que ser solicitada uma vistoria para a gente. Fazemos e verificamos se foi devidamente instalada e executada. Se estiver tudo ok, é emitido o alvará do Corpo de Bombeiros”.

O tempo para emissão e duração também é avaliado de acordo com o risco e tipo de edificação. “Por exemplo, uma edificação que funciona como depósito de areia, é algo que não oferece risco grande. Neste caso, o alvará pode ser de dois ou três anos”, diz.

“O alvará é um documento emitido pelo Corpo de Bombeiros que certifica que a edificação passou por algumas etapas em relação à regulação e implementação de medidas de segurança. Ele atesta no projeto que houve uma vistoria do Corpo de Bombeiros e que estava tudo conforme a legislação determina”, conta o tenente.

Segundo Vilas Bolas, é importante salientar que o alvará não anula chances de acidente. “Mais que o alvará, é importante também a manutenção constante das condições, dos equipamentos e também da forma de uso da edificação pelo proprietário, [assim] como ele sempre estar mantendo as instalações elétricas, os preventivos de funcionamento, porque isso vai prevenir a ocorrência deste tipo de situação”.

Toda edificação precisa do documento e, caso não haja, o dono pode ser notificado e até multado. “Em casos extremos que a gente constatar que o local está com risco eminente à vida, que pode acontecer uma tragédia, a gente pode interditar. Mas só em casos extremos mesmo”.

Edificações de risco

São consideradas locais de risco: boate, clube de qualquer tipo, casa de festas, restaurante dançante ou casa de bingo; indústria ou fábrica; depósito; revenda de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP); manipulação ou armazenamento de produtos perigosos à saúde humano, meio ambiente ou patrimônio; armazenamento, comercialização ou utilização de líquido inflamável ou combustível acima de 250 L; utilização ou armazenamento de GLP acima de 90 kg; utilização ou armazenamento de inflamáveis em tanques ou vasos aéreos; fabricação, armazenamento, manipulação ou comercialização de fogos de artifício, explosivos ou munições; edifício garagem e riscos específicos, tais como: caldeira, incinerador, queimador, elevador de grãos, aquecedor a gás, gás natural veicular, gás natural, equipamentos similares e congêneres.

Incêndios em Cuiabá

Duas lojas, uma de revenda de pneus e uma de artigos de festas, localizadas na Avenida Fernando Corrêa da Costa, pegaram fogo na madrugada de quinta-feira (10), às 4h da manhã. 

O empresário Marco Aurélio Bocardi, dono da ‘Dia de Festa’, estima que o prejuízo seja superior a R$ 1 milhão. Isso porque no depósito estavam estocadas as mercadorias de natal, festas, embalagens, entre outros. “Tinha muita mercadoria, parte de sonorização também, iluminação, foi tudo embora”.

Na noite de sábado (5), o prédio da Realmat, o Ciclo Ribeiro e uma lotérica foram destruídos pelo fogo. O coordenador da Defesa Civil, Lecimar Vieira, afirmou que a situação é bastante preocupante. Isso porque as constantes chuvas deste período do ano em Cuiabá aumentam ainda mais as chances de que as estruturas, que estão em situação delicada, possam vir abaixo.

“Primeiramente, temos que esperar o laudo da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec). Mas tem muito risco, o ‘pé direito’ dos prédios está todo quebrado, entortado. O telhado está descendo. Mais uma chuva, pode cair. Isso está perigoso demais”, explicou o coordenador na manhã de sexta-feira (11), durante vistoria no local.


OLHAR DIRETO
Postagem Anterior Próxima Postagem