DENÚNCIA ELEITORAL: Partido pede cassação de vereadora em Cuiabá por comprar votos com cestas básicas


PTC aponta que Michelly Alencar se valeu de programa de doação de cestas básicas para se eleger

ALEXANDRA LOPES
FOLHA MAX




O Partido Trabalhista Cristão (PTC) ingressou com uma ação no Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) pedindo a cassação da vereadora de Cuiabá, Michelly Alencar (DEM). O partido acusa da democrata, que é jornalista e ex-apresentadora de televisão, de ter comprado votos quando doou sacolões para famílias carentes durante a campanha eleitoral. 

A ação é movida pelo presidente municipal do PTC, Newton César Pereira, o Newton Bengué, e foi encaminhada à 39ª Zona Eleitoral de Cuiabá nesta quinta-feira (7). Os advogados do PTC - José Patrocínio de Brito Júnior, Francisco Anis Faiad e Giovanna Morbeck Arantes Rodrigues - apontam que a vereadora possui vínculos estreitos com a igreja evangélica “El Shaddai Comunidade Cristã de Cuiabá”, e participa de projetos sociais, como o “Projeto Dê Coração” que tem parceria com o governo.

Além disso, destacam que Michelly é casada com o secretário sdjunto de Esporte e Lazer do Estado, Jefferson Carvalho Neves, tendo como titular da pasta o cantor Beto 2 a 1, presidente do DEM, “um dos homens de confiança do governador Mauro Mendes”. O PTC apresenta na ação uma série de prints de publicações da secretária de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc), Rosamaria Ferreira de Carvalho.

A pasta é responsável por distribuir cestas básicas para carentes neste momento de pandemia. “Em uma publicação feita na sua página do Facebook1 , em 03 de novembro de 2020, a poucos dias do pleito, a requerida e vereadora eleita, além do pedido de votos, replica e enaltece o apoio recebido. Eu acredito que é possível termos uma política voltada para as famílias, para as pessoas mais carentes, para as mulheres, crianças e idosos. E Michelly Alencar representa essa mudança que todos queremos na Câmara de Vereadores de Cuiabá́, por isso ela tem meu voto de confiança”, diz trecho de uma das publicações destacadas na ação como prova. 


Ainda de acordo com o documento, Michelly realizou uma postagem sobre a realização de uma reunião com os servidores da Setasc, com o objetivo de compartilhar sobre os atos de sua campanha. “Hoje estivemos uma reunião muito especial com os servidores da Setasc. Compartilhei um pouco mais da minha campanha, falei daquilo que move meu coração, aquilo que eu acredito e foi simplesmente marcante!”, trecho extraído da ação. 

O documento também destaca que diversos sites de notícias do Estado informaram que a jornalista pode ter sido eleita na base de entrega de sacolões, inclusive, com a ajuda da campanha do Governo do Estado, denominada “Vem Ser Solidário”. "Nessa linha de pensamento, considerando o que consta do feito e o lastro probatório mínimo e suficiente colacionado aos autos, evidente o desequilíbrio causado no pleito eleitoral diante da conduta ilícita perpetrada pela Requerida, merecendo reprimenda judicial correspondente à gravidade dos fatos narrados" , assinala.

E ao final, o partido aponta que o pleito eleitoral foi “maculado” e pede a urgente cassação do registro de candidatura e diploma da democrata. O PTC também solicita que a Setasc traga aos autos toda a documentação relativa aos contratos firmados com a empresa Flor de Maio Comércio Varejista de Produtos Alimentícios Eireli para aquisição de cestas básicas, bem como, o relatório detalhado da sua execução, entidades e pessoas beneficiadas com as respectivas datas de entrega e quantitativos, relatórios de pagamentos, dentre outros que se mostrem necessários ao deslinde da questão. 

Michelly Alencar está em seu primeiro mandato de vereadora. Ela recebeu mais de 2,8 mil votos na eleição de 2020.
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