Sob protesto de petistas, Assembleia aprova troca de VLT para BRT




Os deputados estaduais aprovaram, na manhã desta quarta-feira (6), a mensagem do executivo nº173/2020, PL 01/2021, que permite a troca do modal de transporte de Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT) para Bus Rapid Transport (BRT), com dois votos contrários e dezesseis favoráveis. Os parlamentares Lúdio Cabral (PT) e Valdir Barranco (PT) se posicionaram contra a decisão, defendendo um maior debate sobre o tema. A mensagem partiu do poder Executivo para o parlamente, em regime de "urgência ugentíssimas". Agora, o projeto irá à segunda votação. 


O primeiro a falar foi Lúdio Cabral (PT): “Esse debate em torno desse tema, na minha opinião, não pode ser, como infelizmente foi, em várias ocasiões, uma espécie de 'FLAxFLU'. O Estado de Mato Grosso tomou uma decisão em determinado momento de sua história e aprovou uma lei autorizando o Governo a contrair um empréstimo para a implantação do VLT na região metropolitana. Não vou relatar todos os problemas que ocorreram, mas foram três governos, estamos no terceiro governo com essa obra paralisada. O atual governador foi prefeito de Cuiabá durante a execução de parte dessa obra e está no mandato há dois anos e uma semana como governador, e a véspera do Natal anuncia que tomou uma decisão”, afirmou.


Segundo o deputado, o Valdir Barranco (PT), seu colega de bancada, pediu pela realização de uma audiência pública sobre o assunto, para que ele seja amplamente debatido. Lúdio acredita que a decisão deve ser tomada após diálogo com a ALMT e as prefeituras e Câmaras de Vereadores de Cuiabá e Várzea Grande.

O deputado Faissal Calil (PV) também foi à tribuna para discutir o tema. “Antes do paletó o VLT era símbolo de corrupção no estado de Mato Grosso. Foi uma grande roubalheira anunciada, perpetuada por Silval e seus amigos”, afirmou. Ele lamentou as mudanças feitas no urbanismo da cidade, e também a demora em tomar uma decisão. “Será que vocês não perceberam ainda que o VLT é um modal impraticável?”, questionou. Ele ainda disse que a discussão necessária já foi realizada.

O terceiro a falar foi o deputado Silvio Fávero (PSL). Ele se posicionou favorável à mudança. “Infelizmente nós só temos uma solução nesse momento, não temos duas. Ou nós aprovamos a mensagem do Estado ou continua o VLT. Eu concordo com o Governo do Estado. Todo mundo já sabe o que aconteceu e deixou ade acontecer, e nós temos que dar esse aval ao Governo para que isso se concretize”, afirmou.

Valdir Barranco (PT) disse que queria ‘corroborar’ com o que afirmou o colega Lúdio. Ele disse que o projeto do Governo é raso e parece que foi feito “em cima de um capô de caminhão”. “Quais as intenções que estão por trás disso? A gente precisa discutir com a sociedade. A população não foi ouvida. Não seremos nós que vamos andar de VLT ou BRT, a população mais pobre, mais carente, que utilizará”, disse.

O deputado Wilson Santos (PSDB) também decidiu falar na tribuna sobre o assunto. Ele afirmou que a possibilidade de mudança é uma dádiva. “Os dois modais são superiores ao que está aí, disse muito bem o deputado Faissal Calil. Qualquer um dos dois significa avanço para o cidadão. Então na minha opinião o grande acerto do governador Mauro Mendes foi ter decidido. Ninguém aguenta mais falar nesse assunto”, bradou.

Lúdio pediu para falar novamente, e disse que a oposição estava tentando articular a criação de articulação para derrubar o veto do Governo ao RGA do judiciário. Ele pediu que a sessão fosse suspensa por cinco minutos para ver o quórum, o que não foi concedido pelo presidente da casa, Eduardo Botelho (DEM).

Ulysses Moraes (PLS) afirmou que a decisão de VLT ou BRT não cabe aos deputados, mas sim única e exclusivamente ao governador, e que o PL que os parlamentares votariam seria somente sobre uma mudança na legislação para empréstimo. “O que me causa estranheza é essa decisão ter sido tomada nesse período de férias. Tínhamos antigamente aprovado o BRT, de repente mudou-se para o VLT por ações que já vieram a tona em delações, e eu espero que essa decisão não tenha sido tomada com base em corrupção”, afirmou. Ele defendeu a necessidade de fiscalizar o contrato do BRT. À distância, Thiago Silva (MDB) disse que era preciso cumprimentar o governador pela decisão, porque a população já cansou desta discussão. Ele defendeu a mudança.


OLHAR DIRETO
Postagem Anterior Próxima Postagem